Turismo de ExperiÍncia: Roteiros que Marcam

Capa e reportagem publicada na revista Empreendedor (Novembro 2012) sobre a Osteria della Colombina, integrante da Estrada do Sabor, coloca Garibaldi mais uma vez no cenário nacional, por meio de seus empreendimentos turísticos.

 

Confira a reportagem: 

 

A Arte de Encantar

por Cléia Schmitz
cleia@empreendedor.com.br

Transformar o imaginável em realidade, vivenciar algo muito além de suas rotinas, é uma característica cada vez mais procurada pelos turistas em suas viagens.

Todos os anos, centenas de turistas visitam o restaurante Osteria Della Colombina, em Garibaldi, na Serra Gaúcha. Enquanto esperam a refeição, os visitantes são convidados pela proprietária Odete Bettú Lazzari, 62 anos, a fazer pãezinhos em forma de uma colombina (pombinha em italiano). Odete também faz questão de mostrar, em meio a muitas histórias, sua bela propriedade, onde frutas e hortaliças orgânicas são cultivadas para abastecer o estabelecimento. Após o banquete com pratos típicos dos imigrantes italianos, os turistas recebem as colombinas já assadas para levar com eles.

A Osteria Della Colombina foi uma das primeiras empresas a participar do projeto Economia da Experiência, iniciado em 2006 pelo Ministério do Turismo (MTur), em parceria com o Sebrae e o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Região Uva e Vinho (SHRBS). Hoje, são cerca de 200 pequenos empreendimentos turísticos certificados com o selo Tour da Experiência – criado pelo projeto – em cinco destinos: Uva e Vinho (Serra Gaúcha), Bonito (MS), Belém, Costa do Descobrimento (BA) e, recentemente, Serra Carioca (RJ).

A chamada Economia da Experiência parte do princípio de que o mundo busca novos valores de mercado, onde o componente emocional se sobrepõe ao racional. O conceito se inspira nos livros A sociedade dos sonhos, de Rolf Jensen, e Economia da experiência, de Joseph Pine e James Gilmore, ambos publicados em 1999. Aplicado ao turismo, defende que há um número crescente de turistas que procuram fazer viagens que lhes tragam vivências marcantes, como protagonistas e não meros espectadores.

“O turista não quer mais ser só um observador, ele quer participar, vivenciar experiências novas, fazer o açaí, e não só comê-lo. É um processo de encantamento que o faz voltar para casa e recomendar o destino aos amigos ou mesmo desconhecidos na internet. Aplicar o conceito da Economia da Experiência nos empreendimentos turísticos, de fato, pode transformar pequenas coisas em grandes negócios”, afirma Wilken Souto, coordenador-geral de segmentação do turismo do MTur. Ele destaca uma pesquisa que o ministério fez com os visitantes dos roteiros, cujo grau de satisfação chegou a 80%.

Odete Lazzari não tem dúvida de que os visitantes da Osteria Della Colombina vão embora satisfeitos. Muitos voltam, e outros que chegam pela primeira vez receberam a recomendação de amigos que conheceram o restaurante. Em 2011, foram 3 mil visitantes e, em 2012, a perspectiva é fechar com 6 mil. “Tem muita gente que se emociona fazendo a colombina, lembrando-se de seu próprio passado. Outros dizem que viajaram o mundo inteiro, mas que nunca ficaram tão encantados como aqui, no meu restaurante”, afirma Odete, cheia de orgulho do trabalho que faz com a ajuda das quatro filhas.

Oferecer a colombina aos turistas foi ideia da própria Odete. Era uma tradição em sua família quando ela era criança. A lembrança veio certa vez em que o Sebrae pediu para cada um dos empreendedores do roteiro levar algo para fotografar. “Minha responsabilidade era o pão e decidi fazer a colombina. Fez o maior sucesso, tanto que há dois anos fui convidada para ir ao Salão de Turismo, em São Paulo. Foi a primeira vez que viajei de avião. E no primeiro dia da feira fiquei rouca de tanto falar sobre a colombina”, conta Odete.

Presidente do SHRBS, Márcia Ferronato acompanhou todo o desenvolvimento do conceito de economia da experiência na região da Serra Gaúcha. Para ela, o projeto valorizou as histórias e o estilo de vida dos moradores e transformou o patrimônio do território e das pessoas em produtos que geram vivências memoráveis aos turistas. Os empreendedores perceberam a importância da inovação na busca da competitividade. “Há muito por fazer, mas tenho certeza de que plantamos a semente para seguir evoluindo com a razão de ser do turismo: encantar”, afirma Márcia.

 

Fonte: Revista Empreendedor


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